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Pesquisas científicas

Existem várias formas de se constituir uma família chefiada por uma mãe lésbica: adoção; inseminação artificial com doador anônimo ou conhecido; relacionamento sexual com o "escolhido" para ser o pai da criança; filhos de casamento anteriores seus ou da sua companheira. Cada uma das formas de se formar uma família chefiada por mãe homossexual tem suas características, seus prós e contras, muitas vezes não se tem a chance de escolher, e é preciso se adaptar. Este breve texto mostra alguns dos pontos importantes presentes em cada uma das formas de se compor uma família lésbica.

Adoção
Para casais heterossexuais, a adoção é costumeiramente a última opção, aquela feita depois de se tentar todas as outras possibilidades, no entanto essa opção é bastante comum em casais homossexuais, sendo mesmo a sua primeira opção. Em nosso país, a adoção pode ser realizada por adultos solteiros, não levando em consideração a orientação sexual do futuro pai ou mãe, o que, por si só, já traz algumas conseqüências para a família. Apenas um dos integrantes do casal será oficialmente a mãe da criança, o que futuramente pode trazer alguns inconvenientes legais e mesmo emocionais (quem ficará com a criança em caso de separação conjugal?). A outra seria a decisão de contar ou não que se é homossexual durante o processo de adoção, afinal revelar-se homossexual pode dificultar ou mesmo impedir o processo de adoção dependendo do preconceito das pessoas que estão avaliando o pedido.

Outro fator a ser pensado quando se planeja adotar uma criança é a possibilidade dessa criança não corresponder a fantasia das mães, não ser mais um bebê, ser de outra raça que a sua, ter uma bagagem de vida anterior da qual você não faz parte. As fantasias devem ser refletidas, confrontadas com a realidade, deve-se pensar nas conseqüências que a não realização delas pode ter em si e no futuro relacionamento.

Ter uma criança adotada traz muitas dúvidas aos pais: conta-se ou não a criança, como contar; como lidar com o fantasma do passado (se é preferível deixar que a criança esqueça o que passou ou se é melhor cultivar as memórias de sua família anterior); como lidar com o fato de não serem do mesmo sangue; com o fato da criança ter sido abandonada; quando a criança crescer ela poderá ter o desejo de procurar sua família de origem... A sugestão é que as futuras mães busquem livros, grupos de ajuda, conversem com outros adotantes, encontrem um suporte adequado para passarem por esses momentos com tranqüilidade.

Inseminação artificial
Já a inseminação artificial permite que uma das mães seja realmente a mãe biológica da criança, mas por outro lado temos novamente a questão da escolha: apenas uma poderá engravidar, e será legalmente a mãe da criança. O processo de inseminação artificial é simples, no entanto, podem ser necessárias algumas tentativas antes de se obter sucesso. É um caminho de ansiedade e possíveis frustrações.

A inseminação artificial com doador anônimo nos faz sugerir que a criança nascerá tendo duas mães e sem um pai, no entanto chegará o momento em que a criança perceberá que um bebê precisa de uma parte de uma mulher e uma parte de um homem pra nascer. Este momento não será grande um problema se as mães estiverem prontas a conversarem abertamente sobre o assunto. Há anos mulheres criam os seus filhos sem maridos, crianças que se tornam adultos adaptados e felizes.

Algumas pesquisas indicam que esse tipo de construção familiar é aquele que acarreta em uma divisão de tarefas mais equilibrada entre o casal, mas mesmo assim há uma diferença, sendo a mãe biológica aquela que se ocupa mais com a criança e se responsabiliza primordialmente pela educação da criança. No entanto, a divisão de tarefas é algo que varia de casal por casal, sendo que cada um pode estabelecer como irá participar na vida da criança.

Escolha de um pai
A inseminação artificial é certamente o método mais dispendioso economicamente, e esta é uma das razões que levam as mulheres a escolherem o método "tradicional" de se fazer um filho. Algumas mulheres podem optar por essa forma de serem mães, pois dessa forma se garante a presença de um homem na vida da criança que possa servir de modelo masculino. Ao mesmo tempo garante-se que a criança terá um pai "presente", não será um anônimo na rua, ou alguém que o abandonou. Outras optam por essa forma por não se sentirem confortáveis com os métodos alternativos e tecnológicos.

O futuro pai pode ser escolhido antecipadamente e fazer parte da vida da criança ou pode ser fruto de um breve relacionamento ou mesmo de um relacionamento apenas sexual, sem qualquer outra participação na criação do bebê que está pra nascer. Nos dois casos pode haver conflitos se a futura mãe tiver uma companheira, surgindo sentimentos de ciúme, raiva, medo ou ressentimento que terão conseqüências imprevisíveis no relacionamento do casal.

A participação do pai deve ser bem discutida antes, pois deve estar claro para todos os participantes os limites que cabem a cada um na criação e educação da criança. E mesmo tendo estes limites muito claros, é preciso saber que as decisões mudam, e que se um pai diz que não queria participar da vida da criança e depois de seu nascimento muda de idéia, ele tem direito legal de conviver com a criança.

Filhos de relacionamentos anteriores
Diferentemente dos casos a cima, nos quais há uma escolha, as famílias cujos filhos são advindo de casamentos heterossexuais já estavam formadas antes da mãe revelar-se ou descobrir-se homossexual. A questão aqui, não está mais no desejo de ser mãe, em como torná-lo realidade ou e em como criar seus filhos. Está no rompimento de um laço anterior (o divórcio), na revelação para os filhos de que se é homossexual (leia mais em: Contar ou não contar?), e na introdução de uma nova pessoa na família.

Muitas vezes, após um divórcio, é necessário um longo período para que se encontre um novo equilíbrio familiar, são novas rotinas, novas tarefas e deveres, novo padrão econômico, muitas vezes, nova casa, nova escola, volta ao mercado de trabalho. Mudanças que podem trazer muito estresse e ansiedade para todos e que demandam tempo de adaptação.

Ainda está presente um forte temor de perda da guarda dos filhos se o pai souber que se é homossexual, temor muitas vezes calcado na realidade, mas que não ocorre em todos os casos. De certo tem-se que houve um relacionamento entre as crianças e seu pai, e a presença desse pai não irá desaparecer, ele estará sempre presente, mesmo que apenas quinzenalmente, mesmo que ele se torne ausente, sempre haverá a sua falta.

Esse tipo de arranjo familiar é o único no qual a companheira da mãe é necessariamente introduzida na família como sendo um terceiro elemento (aquele fora do casal). Da mesma forma como padrastos e madrastas podem não ser bem recebidos pelas crianças, o mesmo pode acontecer com a companheira, talvez surjam muitos conflitos com os filhos, e talvez eles a vejam como causadora do divórcio ou da homossexualidade da mãe. Disputa de atenção e rivalidade pode acontecer, mas também há muitos casos nos quais todos se adaptam facilmente, principalmente quando as crianças são pequenas.

AS FORMAS DE SE CONSTITUIR UMA FAMÍLIA