A já cita pesquisa de Brewaeys, Ponjaert, Van Hall e Golombok (1997) que conta
com 98 famílias entrevistadas, também investigou o desenvolvimento das crianças.
Em relação ao desenvolvimento emocional e comportamental da criança, tanto
os meninos como as meninas criadas em lares lésbicos eram bem ajustadas e
quanto ao seu desenvolvimento de função de gênero, ele não diferiu das crianças
criadas em famílias heterossexuais. Esses resultados indicam que o desenvolvimento
da criança, bem como a família lésbica, é similar a criança criada em famílias
heterossexuais.
Tasker e Golombok (1995) estudaram 25 jovens adultos, criados em lar lésbico e 21 de lares heterossexuais e afirmam que os primeiros possuem uma boa estrutura psicológica, e identidade familiar assim como bons relacionamentos. Os autores apontam que os filhos de mãe lésbica tinham maiores probabilidades de explorar as relações com o mesmo sexo. Entretanto, a homossexualidade da mãe não está relacionada com a homossexualidade dos filhos, já que a grande maioria dos filhos (com idade média de 23,5 anos) identifica-se como heterossexuais.
Chan, Raboy e Patterson (1998) pesquisaram 80 famílias que fizeram inseminação artificial e cujos filhos agora tinham 7 anos. Destas, 55 eram chefiadas por lésbicas e as demais por heterossexuais, podendo ser casais ou solteiros. Os resultados apontam para uma não correlação entre a orientação sexual da mãe e o bom desenvolvimento da criança. Os fatores relacionados, pelos autores, com os problemas de comportamento das crianças foram: mães/pais que experimentaram altos níveis de estresse relacionado à maternidade/paternidade, conflitos no lar, e baixo nível de amor entre os pais.
Gold, Perrin, Futterman e Friedman (1994) revisaram a literatura sobre o tema e constataram que não há dados indicando que as crianças de pais homossexuais são diferentes em qualquer aspecto psicológico, social ou de desenvolvimento sexual. Elas não se tornarão mais facilmente homossexuais; não são estigmatizadas nem têm conflitos com seus colegas; não tem conflitos sexuais; problemas de comportamento e de auto-estima. As mesmas conclusões são relatadas por Green, Mandel, Hotvedt, Gray e Smith (1986); Golombok, Spencer e Rutter (1983); Kirkpatrick, Smith e Roy (1981); Brewaeys e Van Hall (1997). Golombok (2003) e seus colegas indicam ainda que o bom ajustamento dos filhos está relacionado com uma relação positiva entre mãe-filho, independentemente da orientação sexual desta mãe.
Portanto, não há até hoje evidências de que a homossexualidade dos pais comprometa o bom desenvolvimento de seus filhos. (Falk, 1989; Patterson, 1992). Mas sim diversas pesquisas que indicam que não há grandes diferenças entre o desenvolvimento das crianças de lares heterossexuais e homossexuais. (Green, Mandel, Hotvedt, Gray, Smith, 1986; Gold, Perrin, Futterman, Friedman, 1994; Brewaeys, Ponjaert , Van Hall , Golombok S, 1997; Tasker, Golombok, 1995 ).