Os Infiltrados Botucatu 22/09/2007
No início do ano, fui contatado pela Yamaha Japão para trocar uma peça da TDM, um tal de TPS. A princípio imaginando um recall desses costumeiros na indústria, fui na concessionária mais próxima para trocar essa peça. Um TPS normal é um sensor de posição do acelerador, que envia à injeção eletrônica a posição da borboleta do acelerador, para injetar mais ou menos combustível.
Fui atendido na oficina por um engenheiro japonês, que num português arrastado, me informou que este TPS colocado na minha moto era na verdade um coletor de dados de motos da concorrência. Como a matriz da Yamaha soube que eu participo de algumas listas e fóruns de internet sobre moto, entre eles a Lista V-Strom, fui intimado a colaborar com a Yamaha, para tentar espionar as V-Strom e descobrir o porquê de tamanho sucesso deste modelo de moto. E se eu não colaborar? perguntei?? Transformaremos a sua TDM de 900 pra 225!! me respondeu o japonês... então, não tive escolha...
Recebi alguns participantes em Curitiba, no feriado de 07 de junho, tirei diversas fotos, o TPS coletou muitos dados. Enviei as informações via GPS 60CSx (o x indica modelo especial para espionagem). Coloquei algumas fotos no site do CLAM (eventos) para disfarçar e conquistar a confiança dos proprietários das V-Strom.
Dias depois fui novamente convocado para falar com o japonês... enquanto ele ajustava a injeção pelo painel da TDM (para deixar a moto extremamente econômica e irritar os donos de V-Strom), ele me falou que os dados coletados foram inconclusivos e que eu deveria participar de mais um evento da lista para obter mais informações.
A data seria 22/09, em Botucatu. Desta vez a missão seria mais perigosa, o disfarce poderia ser questionado... sugeri à matriz convocar um amigo que tivesse uma Suzuki, para que a missão ficasse mais verossímil, sugestão que foi acatada depois de alguns dias... o Joel (codinome de espionagem Xixo) iria me acompanhar, com sua Bandit. Técnicos da matriz colocaram outros sensores na rabeta da B6, protegidos por filme plástico transparente.
Saímos cedo rumo a Botucatu, o tempo estava fechado:

A viagem seguia tranqüila, parávamos em pontos estratégicos da estrada para verificar o funcionamento dos sensores, e manter contato com os satélites:


(não tirávamos os capacetes para preservar nossas identidades)
Chegando na Represa do Rio Paranapanema, próximo de Avaré, tivemos que parar, pois os sensores da moto do Joel (Xixo), começaram a acusar valores aleatórios e sem sentido. Imaginamos que a grande massa de água estivesse interferindo nos sensores, o filme de plástico não era suficiente para isolar as interferências.





Ficamos aguardando novas instruções pelo GPS, quando recebemos a ordem de seguir em frente, pois a matriz desligou os sensores temporariamente até nos afastarmos da represa.
Chegamos em Botucatu antes das 4 horas, e achamos o hotel com facilidade. Fomos os primeiros a chegar, conforme previsto, e espalhamos mais sensores e câmeras pelo hotel, principalmente no estacionamento.
Saímos para passar o relatório via GPS, e ao retornarmos, no começo da noite, nos encontramos com vários participantes da lista. Muita gente chegando, inclusive duas motos de Brasília e Goiânia. Todos exclamando as qualidades da moto, o conforto, a facilidade de fazer muita quilometragem sem cansar. Tudo devidamente captado pelos nossos microfones e câmeras.
No dia seguinte, mais gente reunida no estacionamento:

Parei a minha moto estrategicamente perto da moto alemã. Pelo formato da caixa no bagageiro (retangular de alumínio, especial para transporte de equipamento eletrônico), percebe-se que mais gente estava espionando este encontro...

Um momento de tensão: algum engraçadinho coloca um capacete em cima da antena que colocamos, interrompendo o sinal para o satélite:

Tive que correr pra usar a máquina digital, e registrar alguns momentos:

O Xixo sinaliza que a comunicação foi reestabelecida:

Fomos para a concessionária Suzuki, onde mais motos chegaram. Eu estava preocupado com o disfarce, mas com o vuco-vuco reinante, eu podia atuar desapercebido:


Comecei a registrar a reação das pessoas, dos proprietários das motos, para ter mais subsídios com relação à satisfação com a moto:


Aqui pude captar a conversa: o Sr. Clóvis exclama extasiado Vou trocar a DR 800 pela V-Strom!!

Mas eis que, surpreso, constato que não sou o único da Yamaha a espionar este encontro!! A Viviane foi a Botucatu pilotando uma XT!! Sozinha!! O pessoal da matriz japonesa realmente não têm escrúpulos... nem imagino a pressão que a pobre mocinha sofreu para rodar mais de 1174 km (ida e volta), apenas pra espionar esse encontro:

Comentei sobre isso com o Nelson, que aparece nesta foto com camiseta do clube DR, e ele me respondeu, enigmático: cara, isso é cabuloso...
Saímos para um passeio... haha!! Aqui o primeiro problema!! Eu sabia que essas V-Strom não eram aquilo tudo que diziam!! Para subir um morro, tiveram que parar no início da subida, deu aquele congestionamento:


O objetivo era chegar no alto do morro, onde há uma pequena igreja, mas as primeiras motos não conseguiram subir e todos pararam pra evitar acidentes. Já imaginaram as primeiras motos tentando subir, carregadas, e tombando pra trás, fazendo um boliche com as outras motos?? Tiveram que subir uma por uma, puxadas por uma Bandit 1200, que subia e descia auxiliando as V-Strom.

Depois de umas duas horas, todos conseguiram subir. Eu e o Xixo subimos sem auxílio, discretamente, para não causar constrangimento. Chegando lá em cima, mais confusão:


Desesperados, os líderes do encontro sinalizavam pro pessoal descer, pois um carro antigo sem freios ameaçava passar por cima de tudo!! Dentro havia um casal visivelmente com pressa (teriam feito alguma bobagem dentro da igreja??):


Depois de muita correria, descemos todos e, por causa do calor e da tensão da descida, tivemos que parar em uma loja de carros, em busca de sombra:



Havia alguns carros parados na oficina, um deles com problemas na bateria:



Sem dúvida um carro muito bonito, mas com um motor um pouco barulhento...

Depois de descansar nessa oficina, fomos buscar o almoço. Passamos por várias ruas da cidade, chegamos na Fazenda Lageado, onde paramos novamente por causa do calor:



Retornamos ao centro, onde o pessoal resolveu parar para umas fotos, um desafio de perspectiva grande angular:


Voltamos para o hotel, onde almoçamos. Eu continuei tomando depoimentos do pessoal sobre a V-Strom. Um proprietário (o Augusto Mamute) diz estar na 4° V-Strom. Indício de que a moto não é resistente, tendo que ser trocada a intervalos regulares...
Depois do almoço, algumas congratulações entre os participantes:

Este de camisa branca faz pose meio suspeita:

Mais placas e prêmios aos participantes (uma forma de compensar o esforço por percorrer tantos km de moto):



Fui informado que a imprensa escrita especializada foi convocada para cobrir o evento, pelo repórter de camisa vermelha, que usava uma moto vermelha... deve ser da imprensa vermelha também... aqui o flagrante da entrega da placa ao repórter:

(depois reclamam que a imprensa é comprada...tsc, tsc, tsc...)
Um instantâneo da audiência:

Um instantâneo do estacionamento cheio de motos:

O dia se findava...

...e eu e o Xixo enviamos as fotos e os dados captados pelos sensores. A noite, recebemos a confirmação que não seria necessário continuar a operação. Insisti que, no dia seguinte, em um passeio pela barragem de Barra Bonita, teríamos mais chances de obter mais dados... mas a matriz lembrou que os sensores não estavam funcionando apropriadamente quando próximos a muito volume de água. Então marcamos a volta para logo cedo.
No GPS, recebemos o roteiro da volta, que consistia em atravessar um trecho de asfalto bastante deteriorado, entre os condados de Riversul e Itararé (a idéia era analisar o comportamento da TDM nestas condições, comparando com a V-Strom):





Missão cumprida! Aqui um veículo raro: um Scania Vabis branco!!

Na noite de domingo, recebi a informação da matriz que os engenheiros japoneses estavam analisando os dados coletados, tentando inserir todas as qualidades da V-Strom em um modelo cuja base mecânica já existisse. Aqui a foto do 1° protótipo:

Acho que todo o meu trabalho foi em vão... os japoneses da Yamaha ainda não captaram o espírito da V-Strom...
p.s. os agentes Gustavo e Joel (Xixo) estão desaparecidos após a publicação deste relatório... Hollywood já estuda transformar esta estória em filme, dirigido por Martin Scorcese...