Aparecida em Castrolanda 12/10/2005
Nos primeiros anos pós-guerra, um cenário de incertezas e falta de terras disponíveis na Europa motivou, em 1951, imigrantes holandeses a se estabelecer no Paraná, às margens do Rio Iapó, região dos Campo Gerais.
Em uma área original de 5000 hectares, riqueza fundiária impensável na Holanda, nasceram a Colônia e a Cooperativa Agropecuária Castrolanda, singela união do nome do município de Castro ao país de origem.
O desenvolvimento de Castrolanda foi possível através de muita persistência e trabalho árduo dos pioneiros, que permitiram a superação da difícil fase de adaptação ao Brasil. Começar do zero não foi fácil, mas a maioria dos imigrantes enfrentou com coragem as dificuldades iniciais.
A Castrolanda é hoje um notável destaque no cenário agroindustrial brasileiro, com as produtividades agrícola e pecuária estando entre as mais altas do Brasil, sendo motivo de orgulho para todo o Estado do Paraná.
(fonte: Secretaria de Turismo de Castro)
Eu já conhecia a fama de Castrolanda, a colônia holandesa em Castro, a mais ou menos 130 km de Campo Largo, seguindo pela BR 277, fama de região de lindas paisagens agrícolas, e fama de pujança econômica. Em 2001, comemorando os 50 anos da imigração, foi inaugurado o "De Immigrant", a réplica dos moinhos holandeses, famosos no mundo inteiro. E neste dia da padroeira do Brasil, num meio de semana, surge a oportunidade de um belo passeio pelos Campos Gerais, apesar das facadas que recebemos ao passar pelos pedágios (6, seis!!, contando ida e volta, com preço médio de R$ 2,60 cada!!!).


Pela BR 277, poderíamos entrar à direita diretamente pra Castrolanda, mas ainda era cedo, e seguimos até Castro, para conhecer essa cidade também.
Hoje com 60 mil habitantes, Castro foi elevada a categoria de cidade em 21 de janeiro de 1857, mas já era considerada freguesia desde meados de 1770, pois era caminho dos tropeiros em direção ã Sorocaba, vindos de Viamão. Como toda cidade colonial, fica fácil se localizar, bastando procurar a torre da Igreja, ou torres, no caso, da Igreja Matriz de Santanna, concluída em 1860:



Em frente, como em toda cidade colonial, fica uma praça, que em Castro foi revitalizada em 1998:


Adentrando à igreja, nos chamou a atenção os vitrais, muito bonitos:


Observando o altar, notamos alguma descaracterização da igreja, pois, se o altar conserva as características originais, as laterais dever ter sofrido alguma reforma, são paredes lisas e com janelas de estilo modernista (talvez alguma reforma pelo Centenário da Igreja, pelos anos 50 do século passado):

Ao redor da igreja, vimos muitas construções antigas, algumas conservadas, outras não, mas seguimos para as pontes sobre o Rio Iapó, que em guarani, significa "rio que alaga". E o rio alaga mesmo, chegando a tomar metade da rua:


Aqui a ponte ferroviária:

Mas a fome estava apertando nossos estômagos, e fomos até o restaurante Casantiga, próximo da entrada da cidade. Recomendamos!!
Após o almoço, fomos descansar num parque lacustre, muito bonito, formado por um dos afluentes do Rio Iapó:



Seguimos para Castrolanda, pouco antes das 14:00, quando abre o moinho-museu. Realmente belíssimo e impressionante pelo seu tamanho, cujas pás têm 26 metros de envergadura, e está construído bem no centro da área residencial da colônia:



Na "torre", no moinho propriamente dito, temos 3 andares de museu, contando toda a trajetória dos imigrantes e o funcionamento de um moinho, além de muitas fotos da construção do "De Immigrant":


São muitas informações, fatos emocionantes da trajetória da colônia, que encheriam várias páginas de fotos, mas o que chama a atenção é a preocupação, desde o início, com a educação dos jovens e crianças, pois a escola foi primeira edificação pública, erguida pouco depois da conclusão das casas. E aí nós percebemos, e quem visitar esse museu vai perceber também, a maneira diferente (mais produtiva e positiva) de encarar o trabalho e os desafios de transformar um pedaço de terra em riqueza para todas as pessoas da colônia, sem perder tempo esperando ajuda governamental, sem lamentações, confiando em sua própria capacidade de produzir riquezas.
Na lateral do moinho há o restaurante, a loja de artesanato, e um grande salão, para as festas da colônia, possível de ser alugado para eventos externos.
Fomos recebidos pelo Rafael, que logo na entrada (R$ 3,00 por pessoa), nos mostra o funcionamento do realejo...

... que funciona a ar, impulsionado pela manivela, que também traciona a partitura, placas de madeira balsa com furinhos, dispostos de tal forma que enviam o ar aos tubos de maneira harmônica. Genialidade dos europeus:

Todo o moinho é funcional, e o Rafael faz questão de colocar tudo em funcionamento, primeiro movimentando um mecanismo para colocar as pás em posição mais favorável para o vento, depois controlando um sistema de roldanas que movimentam as canaletas, que levam os grãos até as pedras e finalmente controlando o contato entre essas pedras para moer, com a farinha percorrendo outras canaletas até ser ensacado. Simplesmente genial!!
Um mecanismo fica desmontado, como se estivesse em manutenção, pra termos idéia de como funciona:

De lá de cima temos uma ampla vista da parte residencial da colônia:



Já avistamos a chuva se armando, consequência do forte calor da tarde.
Retornando, paramos ao lado das plantações, e avistamos a chuva já caindo:


Pegamos a BR 277 em direção a Campo Largo, com a chuva nos acompanhando ao lado, mas não chegamos a nos molhar.
Recomendamos a todos um passeio até Castrolanda, pela beleza das paisagens naturais e das cultivadas pelo homem, e para conhecer outra cultura, outras técnicas de cultivo. Serve de inspiração para encararmos a vida de forma diferente, de forma mais produtiva.