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Salvador,
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Carta ao Secretário do Audiovisual Salvador, 12 de agosto de 2005. Ao Ministério da Cultura / Secretaria do Audiovisual Na Bahia os intelectuais e artistas ainda vivem na Ditadura Militar. São perse-guidos, têm suas obras proibidas de exibição em espaços públicos e quem se rebela claramente contra esta situação tem os recursos estaduais para seus projetos culturais negados, sendo estrangulados financeiramente. Estamos assistindo a uma absurda censura ao filme O FIM DO HOMEM CORDIAL, que, em pouco mais de 2 minutos trata de um seqüestro de um senador da República (tratado por Malvadeza e Cabeça Branca) em alusão óbvia a Antonio Carlos Magalhães. Após este filme ganhar o primeiro lugar no Festival A Imagem em 5 Minutos deste ano, promovido pela Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (DIMAS), da Fundação Cultural do Estado da Bahia, houve um grande constran- gimento à equipe envolvida na produção do evento, que imediatamente perdeu seus cargos por ter permitido a inclusão de um filme com esta temática num evento do Governo. Seqüenciando este absurdo, vários atos de censura vem proliferando
na Bahia: este ano houve a suspensão do programa que exibe os
trabalhos premiados no Festival A Imagem em 5 Minutos pela TV Educadora,
televisão educativa do Estado da Bahia; em seguida a sala de
cinema Walter da Silveira, pertencente à Fundação
Cultural do Estado da Bahia também cancelou a exibição
dos filmes Foi criado na Bahia o Movimento Anti-Cordial, cuja principal idéia é denunciar que a arte na Bahia só é viabilizada se for propagandística e que incentive o turismo, havendo claro prejuízo à liberdade de expressão (na Bahia a Secretaria de Cultura é vinculada à de Turismo). E quando as obras conseguem ser viabi- lizadas mesmo sem os recursos públicos estaduais e não estão de acordo com as orientações e desejos dos governantes, cassam-se os direitos de difusão das obras, como é o caso em questão. Os espaços culturais públicos não podem estar
a serviço dos interesses privados, dos interesses de grupos políticos
(mesmo os que permanecem há tempo no poder e confundem o público
com o privado, o cultural com o turístico). Não podemos
nunca esquecer que o país vive uma democracia e não podemos
permitir que a Bahia continue no passado repressor e censor que tanto
atrasou o país. Indignados com este cerceamento e censura aos artistas e à liberdade
de expressão na Bahia, a Associação Brasileira
de Cinema e Vídeo e a população em geral organizaram
a ocupação da DIMAS e projetaram o filme censurado em
suas dependências. Mas após o corte da energia, a polícia
foi chamada Por ser a autoridade audiovisual do país, por ser baiano, por
ser cineasta, por ter sido vítima de censura em suas obras, mas
especialmente por ocupar o cargo executivo de Secretário do Audiovisual
do Governo Federal, solicitamos sua participação e intervenção
neste caso, pois se trata de quebra dos direitos Acreditamos que o Governo Federal tem que exercer suas responsabilidades previstas no Art. 3º. da Constituição Federal de "construir uma sociedade livre, justa e solidária" e de garantir "a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional" (Art. 215). Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários e esperamos os desdobramentos desta solicitação através do Movimento Anti-Cordial e Núcleo Contra a Censura na Bahia, através do e-mail movimentoanticordial@hotmail.com
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