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O cinema
Durante o final de
semana, a rua era fechada, virando um calçadão para que todos
pudessem passear, todos muito bem vestidos, trocando olhares,
num clima de descontração típico de uma cidade do interior .
O cinema veio trazer para a cidade filmes
de sucesso em Hollywood, com grandes atores da época,
e
acesso às informações de todo o mundo.
Antes de cada
sessão, era tocada uma música de abertura que anunciava o
começo do filme.
Essa música era Danúbio
Azul, grande sucesso
da época.
Juquita tinha um
disco que era guardado a sete chaves, por ser raro na época.
Nesse meio tempo, o
jovem Zé Silvio, funcionário do cinema na época, sentou no
disco por acidente e sumiu do mapa.
Juquita ficou muito
bravo e foi buscá-lo pelas orelhas pra dar conta do disco.
Catatau operava os
equipamentos, e coordenava o que acontecia no cinema.
Como de praxe, havia
a venda de doces e afins dentro do cinema.
O vendedor da época
era Nozin de Deco, com um grande tabuleiro de canudos de doce de
leite.
O problema nas
vendas era
que ele ficava com muito sono durante o filme, fazendo a festa dos
jovens, que roubavam os doces. Quando o Nozin acordava, estava
com a bandeja vazia e sem o dinheiro.
As broncas de
Juquita sobravam pra ele também.
Como Alvinópolis
ainda estava acordando para o cinema, haviam muitas crendices,
que viraram casos engraçados.
Por exemplo, se o Leão da
Metro, companhia de cinema americana, aparecesse rugindo 2 vezes
antes do filme, aquele filme era melhor que os outros.
Outras pessoas, que
pouco frequentavam o cinema, quando viam o Leão rugir, iam
embora, achando que já haviam visto aquele filme.
Que saudade deixou
esse cinema.
Nos dias de hoje,
com o advento do vídeo e dvd, não existe mais cinema em Alvinópolis.
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