Artístas Links

     Músicas sem Fronteiras, Jazz, Etnic, Tango

   Arrigo Cappelletti

  Carlos Mendes

  Elios & Boulou Ferré

  Maria Viana

  Olivier Manoury 

  Rão Kyao

   Trio Ammentos

     Fado  & Recital de    Guitarra Portuguesa  

  António Pinto Basto

  Carlos Gonçalves

  João Braga

  Jorge Fernando

   Viagens ao Fado

    HOME

 

 

 

 

 

 

João Braga - Cantar ao Fado
Por Vasco Pulido Valente
 

Já se disse que João Braga renovou o fado. Não se disse ainda que não há nada mais difícil do que renovar um género de velhas tradições sem o trair. Foi o que João Braga conseguiu, com paciência, com amor e com saber. O fado que ele canta continua a ser o fado e é um fado diferente.

Não apenas porque usou a grande poesia portuguesa. Qualquer medíocre podia fazer esse exercício fútil. Mas porque se encontrou nela e através dela se revelou a si próprio. Basta ouvir. A música não se limita a acompanhar ou a interpretar o poema, funde-se com ele, transfigura-o e cria no sentido próprio da palavra um objecto de arte original e único, que já não pertence a Camões ou a Pessoa, a O’Neil ou a Manuel Alegre – que lhe pertence a ele, João braga , à sua visão e à sua voz. Um caminho arriscado? Com certeza.

O
sucesso parece estar cada vez mais ligado ao sentimentalismo e à vulgaridade. Não suportar nem uma coisa nem outra nasceu evidentemente com ele. Só que não transigir pede coragem e acreditar que a popularidade não exige concessões não dispensa inteligência e a cultura. E de ano para ano o seu percurso mostrou que não precisava de se diminuir para chegar ao público e se tornar para sempre parte do património do fado.

Por isso, este último disco reafirma muito naturalmente um homem insubmisso que responde ao destino com a liberdade de quem canta “ao fado” contra o fatalismo. Uma liberdade que lhe permite passar, com inestimável ajuda de Jaime Santos Jr., da irónica amargura de O’Neil (“Um Carnaval”) a um Pessoa quase desconhecido, à procura do mítico paraíso do Sul (“Bem Sei”); ou da comovida homenagem de Manuel Alegre a “Adriano” (Correia de Oliveira) à “Ternura” triste de Mourão-Ferreira. Variável, múltiplo, complexo – e com o prodigioso domínio técnico, sem o qual o resto nada valeria – João Braga voltou. Obrigado.

Vasco Pulido Valente

 

 

    HOME                 REDEMAGNA