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Atualidades

Esta seção apresenta textos escritos pelos astrônomos da ACrux sobre temas que estejam atualmente sendo abordados pela mídia e que assim podem gerar curiosidades e dúvidas.

Um dos principais objetivos desta sessão é informar corretamente o leitor interessado, corrigindo erros e enganos cometidos por jornalistas mal informados e mal preparados para falar de astronomia e assuntos afins. Outro é poder entrar em detalhes que jornalistas não têm condições de entrar, mantendo uma discussão acessível a todos.

Artigo Mais Recente:

[28/09/2006] O Dia em que Plutão Caiu!

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  3. [03/02/2006] Um Décimo Planeta?

 


O Dia em que Plutão Caiu!

por Ana Beatriz de Mello [28/09/2006]

Acabou! A polêmica sobre a classificação exata de Plutão chegou ao fim. Aconteceu no último mês de agosto, na cidade de Praga (República Tcheca), a assembléia geral da União Astronômica Internacional de 2006. Dentre os diversos temas discutidos nos 14 dias do encontro, debateu-se a polêmica questão da classificação de Plutão como planeta e a definição exata desta categoria.

Neste evento histórico, que teve impacto sobre a educação em astronomia no Ensino Fundamental, três membros da ACrux estiveram em Praga para acompanhar as decisões que mudaram drasticamente os nossos conceitos sobre os constituintes do Sistema Solar. A discussão girou em torno da polêmica de anos que colocava em cheque a classificação de Plutão como planeta. Plutão era o último planeta do Sistema Solar (em ordem de afastamento do Sol), situado após um grupo de planetas gigantes gasosos, se distinguindo por completo desses companheiros. Além disso, Plutão é muito menor (2.300 km) que a nossa própria Lua (3.476 km). Tendo em vista essa problemática, Plutão teve, durante anos, ameaçada a sua posição como planeta, uma questão que perturbou muitos conservadores.

Durante a primeira semana do encontro, era praticamente certo que Plutão não desceria de seu trono e que uma nova definição para a palavra planeta deveria ser criada a fim de assegurar a Plutão o seu lugar. A nova proposta de definição foi lançada. Para que um corpo celeste fosse considerado um planeta ele deveria atender dois requisitos:

  • precisaria estar orbitando uma estrela e
  • precisaria possuir pelo menos 0.6% a mais que a massa da Lua e um diâmetro superior a 800 km (praticamente a distância Rio de Janeiro - Curitiba).

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Rodolfo Smiljanic, Ana Beatriz de Mello e Daniel Nicolato no centro de conferências em Praga onde se decidiu o destino de Plutão

Essa nova definição não só mantinha Plutão com o status de planeta como também inseria outros três objetos nessa categoria, fazendo com que o nosso Sistema Solar não mais tivesse 9 planetas, e sim 12! Esses novos planetas seriam: Caronte, o atual satélite de Plutão; Éris (anteriormente denominado 2003 UB313), ainda maior do que Plutão (2.400 km); e Ceres, um asteróide do cinturão de asteróides, que já havia sido no passado classificado como planeta e destituído posteriormente de seu cargo. E não pararia por aí, esta lista de planetas só tenderia a crescer, pois vários objetos transnetunianos (que estão além da órbita de Netuno) têm sido descobertos, mas ainda não têm todas as suas grandezas precisadas, como Sedna, 2005 FY9 e Quaoar. Diante desta decisão, uma euforia tomou conta dos corredores do centro de conferências de Praga, pois pela primeira vez em mais de 70 anos, novos planetas seriam descobertos no Sistema Solar.

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Imagem artística com os atuais "planetas anões" e objetos que devem vir a se tornar em proporção de tamanho junto com a Terra. Os nomes desses objetos estão em negrito; os nomes de seus satélites são mostrados em fonte normal.

Mas na segunda semana o panorama mudou drasticamente. O que parecia ser uma euforia de muitos, de fato era um desejo de uma minoria; e no dia da votação, a definição proposta para planeta não foi aceita. Em vez da companhia de planetas, Plutão passou a liderar uma nova categoria de corpos celestes definida, a de “planetas anões”. Apesar de surpreendente e inesperada, a decisão leva em conta o sistema educacional, pois se tivesse prevalecido a proposta anterior, em 1 ano, estima-se que teríamos mais de 22 planetas e em 2, mais de 32.

Dessa forma o nome de Plutão deverá ser apagado dos livros escolares, pois agora é só mais um na multidão de pequenos corpos do Sistema Solar. E uma nova categoria de constituintes do nosso sistema planetário deve ser ensinada - a dos "planetas anões".

Logicamente, a decisão causou revolta entre os cientistas que lutavam pela permanência de Plutão. Na nova definição de planeta adotada, o corpo celeste para assim ser designado deve obedecer aos seguintes requisitos:

  • deve orbitar uma estrela,
  • deve possuir massa suficiente para que possua formato aproximadamente esférico, e
  • deve e ser o objeto dominante em sua órbita.

Ficou determinado, portanto, com 237 votos a favor, 157 contra e 30 abstenções, que Plutão não é mais um planeta, e sim o protótipo de uma nova categoria de corpos do Sistema Solar chamada “planeta anão”. A diferença na definição desta nova categoria para a de planetas, é que um “planeta anão” não precisa ser o corpo dominante em sua órbita, justamente o caso do ex-planeta, Plutão.

Essas alterações só devem ser incluídas nos livros escolares brasileiros a partir do ano de 2008, um atraso que pode ter impacto negativo sobre a formação dos mais jovens. A próxima assembléia geral, que ocorrerá no Rio de Janeiro em 2009, pode modificar mais uma vez esse panorama. E o que acontecerá com os livros didáticos se esse conceito mudar mais uma vez?

 

 

 
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